Crônica — Fim do sonho e a pior classificação da história.

Crônica — Fim do sonho e a pior classificação da história.

Chegou ao fim o sonho do hexacampeonato. A sexta estrela continuará distante por, pelo menos, mais quatro anos. O Brasil perdeu para a Noruega e está eliminado da Copa do Mundo.

 

Mais do que uma derrota no futebol, essa eliminação precoce escancara uma ferida que há muito tempo deixamos de tratar. A Seleção se despediu da Copa sendo dominada por uma Noruega estreante no torneio. Em muitos momentos, parecia que o estreante era o próprio Brasil.

 

Vimos uma equipe sem alma de Seleção, sem raça, sem intensidade e sem a vontade que sempre marcou quem vestia a camisa mais pesada da história do futebol. Apostamos em um treinador estrangeiro, multicampeão por clubes, mas que, na Seleção, não conseguiu devolver nossa identidade.

 

O futebol apresentado nesta Copa não se compara ao legado das cinco estrelas estampadas no peito da camisa brasileira. Faltou protagonismo. E quando o nosso maior protagonista entrou em campo, acabou sendo transformado em escudo para um problema muito maior.

 

Nosso camisa 10 carregou a Seleção durante 15 anos. Tornou-se o maior artilheiro da história do Brasil, superando Pelé. Apanhou dentro de campo e também fora dele. Enquanto milhões de crianças continuam a enxergá-lo como ídolo, as críticas nunca deixaram de existir. E, como dizia Chapolin Colorado: “E agora, quem poderá nos defender?”. Nosso gênio foi embora, e muitos dos que ficaram parecem sentir o peso de assumir esse protagonismo.

 

O ciclo foi decepcionante. Foram quatro técnicos, quatro estilos diferentes e nenhum conseguiu resgatar a essência do futebol brasileiro. A Seleção de cinco estrelas nunca encantou pelo medo que impunha, mas pela alegria, pela criatividade, pela ousadia e pelo talento.

 

O sonho do hexa terminou. Pouca coisa deve mudar, da direção da confederação ao campo. Em setembro, começa um novo ciclo rumo a 2030. Que ele traga mais do que uma única jogada ensaiada.

Que devolva a coragem de enfrentar qualquer adversário. E, acima de tudo, que nossos jogadores voltem a vestir a camisa da Seleção com orgulho, sem medo do peso da sua história, mas inspirados pela grandeza que ela representa.